"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada...Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro". Clarice Lispector
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Simples ser eu?
Busco a felicidade a cada dia, como se fosse a coisa mais simples da vida. E acredito mesmo que seja. Sou uma criança grande. Eu não canto bem, não danço bem, mas canto e danço, sempre, invariavelmente, conforme a música, inclusive.
Escrevo melhor do que falo, mas falo muito mais do que escrevo. Aliás, falo sempre muita coisa ao mesmo tempo, na velocidade do pensamento involuntário.
As vezes falo sem pensar, em outras penso sem falar.
E nesse vai e vem de sensações e acontecimentos, procuro seguir a minha, e tão só minha, verdade.
Não minto mais do que o necessário. Só mesmo nos momentos do estritamente.
Sou inconstante; mas uma inconstância minha, com erros e acertos meus, por méritos ou desméritos próprios. Não transfiro culpa; mas não aceito culpa alheia.
Todavia, o mais certo é que o que eu sou é uma somatória do que eu fui às coisas que aprendi com as pessoas que passaram ou ficaram na minha vida. Muitas foram muitas estão muitas vão sair, outras não vão entrar, mas as especiais sempre estarão guardadas lá naquele cantinho da verdade absoluta.
Gosto de sol, mas prefiro chuva. Admiro o dia, mas me fascino com a noite. Som, muito som sempre, mas nenhum melhor do que o silencioso pulsar do meu peito, na madrugada, enquanto sozinho penso.
Tenho pressa sempre. Agora é sempre o melhor momento, ainda que entristeça.
Por ser assim, um ser em constante mutação e aprendizagem, essa definição não terá ponto final, acabará com reticências, entre vírgulas e exclamações, aguardando o próximo capítulo (...)
__________________________________Ah, aqui é só para raros
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Liberdade
Por que eu não posso voar?
Em algum lugar acima do arco-íris o céu é azul
E os sonhos que você ousa sonhar
Se tornam realidade, verdade".
"Não sei se estou perto ou longe, se peguei o rumo certo ou errado; sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de formas diferentes. Já não caminho mais sozinho, levo comigo cada recordação, cada vivência e cada lição. E mesmo que tudo não ande da forma que eu gostaria, só o fato de saber que eu consegui aprender com os meus erros, me fez perceber que tudo valeu a pena."
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
E eu prefiro escrever meu próprio caminho

Nem tudo é poético.
Alice saia detrás do espelho você esta vendo o mundo ao contrário.
Qual é a visão ou o estado de espiríto hoje?
Há rede de desilusões, há rede de desencontros.
Tudo é perfeito no espelho ao contrário.
Magica Ilusão.
Magico Encontro.
Planos num plano, jogados , perdidos.
Milimetricamente medidos por sensações momentâneas de prazer.
domingo, 7 de novembro de 2010
PERDOANDO DEUS

Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.C.L
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Flores
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Amor

"Amor é quando você sabe tintim por tintim as razões que impedem o seu relacionamento de dar certo, é quando você tem certeza de que seriam muito infelizes juntos, é quando você não tem a menor esperança de um milagre acontecer, e essa sensatez toda não impede de fazê-lo chorar escondido quando ouve uma música careta que lembra os seus 14 anos, quando você acreditava em milagres."
All Days
Santástico!

Santástico!
Santástico é o meu pensamento que me leva a lugares mais atrevidos num milésimo de segundo, há minutos estive em uma roda de ciranda, sorrindo como uma menina inocente. Há poucas horas estive realizando desejos e pedidos deixados em moedas no fundo de um rio.
Há pouco tempo estive apagando as luzes da cerimônia do Oscar seria falha na Iluminação?
Estive perdida em meus devaneios discernindo que caminho de pensamento tomar.
Posso estar sentada numa multidão a observar olhares e gestos e no mesmo segundo observar o nascimento de uma criança.
Pensamentos vagueiam e nunca param e isso me incomoda, pois as energias são levadas
tal qual ao seu lugar. Ou você pensa que foi fácil pensar numa luta de boxe agora, me
sinto cansada, mas ainda posso navegar nas minhas idéias mais escondidas e absolutas e
o mais interessante que posso estar aonde quiser.
Aqui não há limites onde o infinito é o meu pensamento impossível.
Fractais
Pensamentos, memórias se fundem em um único fractal.
Fractal para ser perfeito não precisa se explicar ou mesmo se auto definir
apenas existir ou resistir a pensamentos ilusórios sem comportamento,
sem edição ou mesmo rejeição.
Mas há quem diz que fractais são perfeitos? Para que perfeições se estão num
conjunto sem definições , sem harmonia , aleatórios num mundo tão pouco visível.
E você pode ver o seu fractal? Onde estaria ele, na sola do seu sapato, na sua carteria,
no cristal da sua água,na sua tatuagem,no seu pensamento mais oculto se é que o oculto existe? !
E se o oculto não existe prove onde você esta...
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Cheiro

Doutor COTONETE:
O doutor COTONETE é Médico cheirologista da mais alta patente. Sua especialidade é única no mundo. Com um faro apurado o doutor jamais se equivocou nos diagnósticos: “É chulé mesmo meu rapaz! Vamos isolar o ambiente!” O Doutor COTONETE decidiu ser médico cheirologista quando ainda na adolescência ficaram quatro anos, cinco meses, doze dias, nove horas, vinte minutos e oito segundos sem tomar banho. Sendo possível, naquela ocasião, catalogar todos os cheiros possíveis e impossíveis. No Congresso Internacional de Cheirologia e, defendeu o uso de aviões para soltar desodorante aerosol. Disse ele numa entrevista: “Depois é só andar com os braços levantados e prontos. Está resolvido o problema.” Amante das músicas eruditas, sendo um músico exímio, gosta de tocar campainha. Quando o doutor não está pulando amarelinhas ou trocando figurinhas na Praça da Bandeira Seu passatempo predileto é ser médico: Doutor da Brincadeira.








