quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Da ficção para a realidade



Num lugarejo escondido no meio do nada no noroeste da Bahia, amanhece mais um dia para dona Ângela. Antes de botar os pés no chão, coloca a água a borbulhar para um precioso café. Ângela olha para o céu e admira o dia ainda por clarear, lava o seu rosto e começa o seu despertar.



O seu despertar não é o brilho do sol e a luz do olhar das onze crianças que a espera para cuidar. Numa vida humilde, começa o seu dia a dia a preparar a comida para a molecada, uns ainda sonolentos e outros a pular amarelinha. Sua alegria esta viva e tem muitos corações por perto. Corações de crianças esperançosas em imaginar que uns grandes futuros possam alcançar.

De baixo de uma árvore sombrosa existe uma grande mesa, que em minutos os irão alimentar.A árvore é grande e significativa, é nela que as crianças contam o seu historias, suas brincadeiras projetam seus sonhos.



Dona Ângela, singela até ao pisar, lida todos os seus preciosos dias, cada hora, cada minuto a zelar pela felicidade da molecada.

E alguém já perguntou para as crianças o que é felicidade para eles?



Bem, morando no meio do nada, o sonho da garotada e que saia uma forquilha nova para fazer um estilingue! O sonho deles são os bambus para construir pipas coloridas!

O sonho é que caia a chuva para as plantas alimentar e serem alimentados.



Num futuro não muito promissor dona Ângela imagina qual o futuro de cada um deles, muitos poderão ser de grande poder.

Talvez gerente da mercearia, um bom feirante, um homem de bem uma linda dona de casa.

A esperança brota em cada olhar enquanto ela pensa e serve o café com leite para a meninada.

De bem longe um grita:

_ Mãe!

Atenta volta à atenção ao nobre menino, pois ele ainda não encontrou os seus chinelos.

Sentados de baixo da arvore Dona Ângela sente a satisfação de cada menino ao saborear o leite maternal.



Feliz passa todos os seus dias a dedicar se a sua vida para a vida alheia.

Sua simples aposentadoria e as frutas do sertão mantêm as crianças nutridas, salvas e amparadas. Que coração é esse Dona Ângela?Um coração que nasceu para fazer as pessoas felizes sabe na medida certa repartir o amor ao mundo, doar sem esperar o retorno, o retorno daqueles que talvez foram e disseram não mais voltar,buscando um futuro melhor. A esperança pulsa aqui a cada segundo em velocidades tão rápidas que já nasce um novo dia e tudo reinicia novamente.


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